O tudo que era ontem... o nada que resta de hoje...
A Beatriz tem saudade... mas também não nega que se sente aliviada... Aquelas tardes, aquelas noites de sexta-feira... saborear aqueles pequenos gestos já característicos da Beatriz e do Diogo, frequentar aqueles cafés que agora se associam a estas pessoas... aquelas ruas que já só eram deles... aqueles caminhos sempre traçados para estes, aqueles temas de conversas como que repetitivos... aquelas bocas um para o outro, aquelas brincadeiras que só a Beatriz e o Diogo sabiam como aconteciam... aquelas preocupações que tanto caracterizavam a Beatriz... os planos, as idealizações, os conhecimentos que se fizeram de ambos os lados, o à vontade que já se começava a sentir ao ir àqueles sítios... a rotina que agora simplesmente acabou... definitivamente ou não, ninguém sabe... sabe-se apenas que neste momento não existe... Tudo mudou... e tudo mudou mesmo... a Beatriz não se esquece daquele dia em Setembro, um dia que se avizinhava bastante triste para ela... e nesse dia, o inevitável para Beatriz, aconteceu... e o Diogo disse: "Eu já nem te consigo acalmar! Sinto que já não te consigo pôr calma como antes..." Tudo mudou... Como é que tanta coisa consegue mudar em tão pouco tempo? Beatriz tem consciência que nem sempre fez o que devia, nem sempre deu valor às coisas que mereciam, nem sempre deixou passar coisas tão insignificantes que só mereciam o puro desprezo... como o ser humano consegue as vezes ser tão egoísta e dar tanto valor a coisas tão pequeninas...
Aquele fim-de-semana... mas que fim-de-semana o Diogo e a Beatriz viveram... dizia o Diogo ser um fim-de-semana a repetir... Será? Só Deus sabe! Aquele fim-de-semana... aquele sábado de tarde junto com a noite... aquele jantar onde a Beatriz viveu uma experiência tão acolhedora... aquele jogo ao fim de jantar tão cómico... onde a Beatriz se ria e ria... e o Diogo olhava para ela com ar de ternura como que a pensar "Esta nova experiência que está a correr tão bem" e ao mesmo tempo a piscar o olho a Beatriz... Aquele domingo de manhã de caminhada, cansaço e felicidade que ao esgotamento conseguia ser superior... Aquele fim de tarde de domingo e principio de noite, no meio dos amigos do Diogo... tempo bem passado, verdade seja dita... as mãos dadas, as conversas entre eles... o fim-de-semana que nunca a Beatriz esquecerá... como conseguiram estes jovens tornar simples momentos em momentos tão especiais para eles...
Às vezes a Beatriz dá por si a pensar... Porque não se preocupa ela em fazer por reconquistar tudo aquilo que já lá vai? Preocupa-se mais com os outros, do que propriamente consigo... porque dá conselhos a terceiros quando nem os consegue aplicar nela? Ela não é exemplo. Embora saiba o que deve fazer e dizer no instante certo e oportuno, nem sempre o faz... mas diz aos outros para o fazerem... porquê? A Beatriz chega mesmo a pensar que alguma coisa está errada... mas não sabe o quê...
Não sabe porque é assim...